sexta-feira, 8 de abril de 2016

Montar sua própria equipe ou receber uma pronta? O que é mais fácil para um líder?

Um dos principais desafios para um líder é construir sua equipe. Muitas vezes temos a oportunidade de partir do zero, selecionar os profissionais, definir os recursos e alocá-los onde acharmos melhor.
Em outros casos a oportunidade é a de assumir uma equipe já formada.  Profissionais que já vem atuando naquelas funções há algum tempo, que conhecem a rotina e os processos.

Qual a melhor situação?

A primeira vista, montar uma equipe do zero parece perfeito. É como receber uma tela em branco, pincéis e tintas e criar o seu quadro, com a sua linguagem dentro da sua arte. Mas isso tem seus prós e contras, como tudo no mundo corporativo. Senão, vejamos:

1. Escolha dos profissionais: 
      Se você tem carta branca para trazer quem quiser, definir os cargos, funções e escopos, é ótimo. Mas nem sempre isso é uma realidade, e mesmo tendo a possibilidade de montar um time do zero, seus recursos não serão ilimitados nem perfeitos. As empresas costumam oferecer uma gama de profissionais já contratados para que o líder posse escolher, mas parta do princípio que se existem outros líderes e outras equipes similares, os profissionais disponíveis não serão necessariamente os melhores. Esses, alguém já selecionou.
Trazer profissionais de fora também não é simples. Normalmente os recursos externos são liberados quando não há profissionais já contratados habilitados à aquela função, ou quando o líder coloca como condição para que o time trabalhe de forma mais eficiente. Mas em geral a liberação para recursos externos é comedida e traz consigo muito mais cobrança.

2. Definição do escopo: 
      A montagem de um time do zero estará provavelmente atrelada a uma demanda da companhia.  E isso dará certa liberdade ao líder de definir como o trabalho será feito. Certo? Não necessariamente. Muitas vezes a empresa demanda o resultado e não interfere na forma como é feito. Mas existe a possibilidade de que o board da empresa queira interferir na forma como o líder trabalhará sua equipe, e isso pode ser um empecilho, ou até mesmo frustrante. O segredo está em equilibrar o que se planejou com o que a empresa tem planejado. Há espaço para todos, não é?

3.  Resultados: 
      Ah, a cobrança... É importante se ter em mente que a cobrança é diretamente proporcional ao nível de investimento que a empresa fez no time. Se o líder teve carta branca, teve recursos tecnológicos e humanos, inclusive externos, à disposição, se conseguiu impor seu ritmo de trabalho e seu escopo para o time, é óbvio que a companhia exigirá um resultado maior. O paralelo com o futebol é inevitável: o técnico que entra, pede reforços, traz sua equipe técnica e muda a maneira de jogar, será naturalmente mais cobrado pela torcida, pela diretoria e pelos jogadores. Isso é um fato.

E aquele líder que herda um time já pronto? O profissional é contratado, promovido ou assume a equipe de outro líder. A equipe já vem pronta, não pode ser mudada, já conhece o escopo e já tem seus “sub-líderes” definidos.  Parece não ser muito fácil, não é? E não é mesmo. Herdar uma equipe requer um tremendo jogo de cintura...

1. Os profissionais: 
Num primeiro momento, a equipe é quem domina. São eles que conhecem o trabalho, a rotina, os processos. Mesmo que seja a pior equipe da empresa, e que o líder esteja ali para concertar as coisas, no primeiro momento o time domina. E aí temos duas situações distintas:

a)      O líder veio de fora: complicado. O reconhecimento da liderança pelo time vai ser, num primeiro momento, por imposição. Os profissionais tendem a testar a liderança e os conhecimentos do novo líder. Alguns vão se mostrar reativos, outros vão tentar criar proximidade. Mas em geral ninguém aceita um líder “externo” de cara, sem questionar. Principalmente quando havia outro postulante ao cargo dentro da própria equipe, ou já antigo na companhia.
b)      O líder veio da própria equipe: mais complicado ainda. Quando a equipe já segue naturalmente um líder dentro do time, e espera que essa liderança seja apenas oficializada, sem problemas. Mas, na grande maioria dos casos, um membro do time promovido a chefe deixa de ser amigo dos colegas no momento seguinte. Existem profissionais com o mesmo nível hierárquico que vão sentir-se preteridos. Existem profissionais que preferiam que outra pessoa fosse promovida. E existem colegas que vão continuar achando que a antiga amizade com o novo líder será eterna, e que por isso tem “privilégios” diferentes dos colegas.

      2. Definição do escopo:
      Fácil. A equipe já sabe bem o que fazer. Teoricamente, não se precisa ensinar nada a ninguém.  Se o novo líder veio de fora, é mais provável  que ele é quem tenha que aprender alguma coisa com o time. Mas isso é bom, aproxima o líder da equipe, e se este mostrar humildade em reconhecer que não sabe algo, o deixa mais próximo dos colegas.
Em alguns casos o novo líder assumiu a função para concertar as coisas. Nesse caso, o relacionamento com o time pode se tornar mais difícil. Mas existem duas formas de lidar com isso: a autoritária e a democrática.
Autoritariamente, o novo líder pode simplesmente impor seu ritmo e suas ideias, sem questionar a equipe, sem ouvir opiniões.
Democraticamente, o novo líder pode realizar reuniões, conversas, workshops, o que desejar, ouvir a opinião do time de forma participativa, e de forma gradual vender suas ideias ao time.
Não há a forma correta. Isso depende de cada líder e da forma como ele quer lidar com o grupo.

3. Resultados: 
O líder que herda uma equipe será cobrado da mesma forma que o líder que cria o time. Mas quando um líder assume a função apenas porque a mesma ficou vaga, a equipe trabalha bem, apresenta resultados e segue em linha com a companhia, a cobrança será naturalmente menor do que no caso do líder que assume um grupo caótico. Como quando o técnico assume o time na liderança do campeonato. Se não cair, está ótimo. O importante é que um bom líder jamais joga na equipe a responsabilidade pelo que não está dando certo. Mesmo que uma ou outra engrenagem dentro da equipe não esteja “lubrificada”, cabe a esse líder fazer com que tudo funcione como um relógio.

Olhando sob essa ótica, talvez não exista uma regra. Cada líder tem a sua preferência. Particularmente, já estive nas duas situações e tive sucessos e dificuldades nas duas. Até porque esses três fatores não são os únicos que definem o sucesso de um desafio profissional de liderança.

Ao assumir um grupo, seja partindo do zero, seja herdando, as qualidade da liderança serão postas em xeque. Um bom líder precisa conseguir se aproximar do time, mostrar confiança e se mostrar confiável. E acima de tudo, mostrar à equipe que não é ele que vai barrar o crescimento de cada um. Escrevi aqui outro dia sobre Líderes Servidores, e são esses os que conseguem fazer com que suas equipes se desenvolvam. Porque será assim que ele também se desenvolverá.


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