quarta-feira, 15 de junho de 2016

A vasilha e o segredo da felicidade

Um humilde pescador decidiu sair pelo mundo em busca de conhecimento e cultura. O pescador velejou com seu barco por lugares que nunca sonhara visitar, e conheceu pessoas que jamais imaginou que existissem.

Em um desses lugares, o pescador ouviu falar de um rico mercador, um homem bom e justo, e que toda a população local alegava ser sábio e conhecer todos os segredos da vida.

O pescador decidiu então visitar o nobre. Ao chegar ao seu palácio, ficou encantado com a riqueza e imponência do lugar. Pediu para ter uma audiência com o homem, e após algum tempo de espera foi recebido pela ilustre figura.

O pescador narrou ao mercador suas viagens e aventuras, e causou no homem curiosidade. Ele desejava saber porque o pescador havia largado tudo para aventurar-se daquela forma.

- Ora - disse-lhe o pescador - eu ansiava conhecer novas culturas e ampliar meu conhecimento.
- Muito bom, respondeu o mercador. E o que o trouxe a mim?
- Todos na cidade o admiram e exaltam seu saber e sua justiça. Por isso vim perguntar-lhe algo que sempre quis saber.
- Pois não - disse o mercador. Pode perguntar.
- Eu desejo muito saber qual o segredo da felicidade.

O mercador fechou os olhos e pensou um pouco. Ao abrí-los, levantou-se, foi até uma mesa no canto da sala, pegou uma vasilha de ouro rasa e encheu com água até quase a boca. Levou-a com cuidado até o pescador e a entregou a ele.

- Caro amigo - começou - antes de contar-lhe tão valioso segredo, peço que pegue essa vasilha e ande por todo o meu palácio. Mas em hipótese alguma, derrube a água que está dentro!

O pescador não entendeu, mas fez o que lhe era pedido. Andou por todo o palácio, sempre de olho na vasilha. Ao voltar, o mercador foi logo perguntando animado:

- E então? Gostou do palácio? Viu os quadros da minha sala de arte? Gostou das esculturas? E o que achou da fonte banhada a ouro e platina?
- Na verdade - respondeu o pescador sem graça - não prestei atenção. Estava muito preocupado com a água na vasilha...
- Então o passeio de nada serviu - respondeu o mercador. Faça o seguinte: pegue novamente a vasilha e dê outra volta. Mas preste atenção no palácio, entendeu? Não perca essa oportunidade!

E novamente o pescador passeou pelo palácio. Mas dessa vez voltou maravilhado:

- O seu palácio é maravilhoso! Quanta arte! Quantos livros! Quantas belezas!
- Muito bem - disse o mercador. Mas onde está a água da vasilha?

O pescador observou a vasilha e viu que estava vazia. Na ânsia de visitar o palácio, descuidara-se da água!

- Eu a deixei cair, sinto muito...

O mercador sorriu e respondeu ao pescador:

- Esse é o segredo da felicidade, meu amigo. Conhecer o mundo, visitar as riquezas, ampliar o seu saber. Mas nunca descuidar-se da água na vasilha...



No nosso dia-a-dia estamos sempre ocupados com os afazeres, com as tarefas e com nossas responsabilidades. A cada passo que damos na vida profissional, nossa pequena vasilha enche-se mais e mais.

Em determinado momento, a vasilha das nossas responsabilidades torna-se uma preocupação enorme, onde carregá-la sem que derrubemos seu conteúdo é a maior de nossas preocupações.

E o mundo que nos cerca? Em que momento de nossa vida profissional paramos de prestar atenção nele, para que possamos apenas cuidar para que a vasilha não entorne?

Conheci inúmeros profissionais que prejudicaram família, casamento, filhos e saúde em busca da carreira perfeita. Escutamos isso o tempo todo, lemos matérias nos jornais e revistas especializadas, sobre como dosar a carreira e a família ou a saúde. Existem à disposição diversas “receitas” sobre como isso pode ser feito, testemunhos de profissionais bem sucedidos que mantém uma agenda equilibrada, ou que largaram suas profissões em busca de algo que trouxesse esse equilíbrio profissional.

Não importa a solução adotada. Seja o equilíbrio da agenda, seja a mudança profissional, seja um tratamento de saúde, o que importa é que temos que estar dispostos a aceitar o equilíbrio em nossas vidas. Num mundo moderno, onde a informação viaja quilómetros em poucos segundos, onde podemos consultar relatórios e números em pequenos aparelhos portáteis e onde os lugares mais distantes tornaram-se de repente mais próximos, fica difícil aceitar que se pode parar de trabalhar em determinado momento. Parar para descansar, para dar atenção às riquezas que nos cercam. Para observar uma beleza natural, para dar atenção a alguém próximo, ou sequer para sentar em uma poltrona com um livro nas mãos e cochilar na terceira página.

O mundo moderno nos conduziu ao imediatismo. Mas o imediatismo nos conduz à ansiedade, ao stress e às necessidades urgentes. Não nos deixemos levar por esse imediatismo. É importante que sejamos sempre bons profissionais, daqueles que não deixa para amanhã o que pode ser resolvido hoje. Mas que não nos esqueçamos que existem belas riquezas fora das paredes do escritório, que não devem ser desprezadas. 

E sempre de olho na vasilha...

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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Deixar as portas abertas: apenas no momento de deixar a empresa?

Um jovem profissional trabalhava em uma grande empresa. Começou como assistente, e devido a sua dedicação, em pouco tempo foi promovido.

Sua conduta e valores foram sempre motivo de admiração entre os colegas. Como no jargão popular, o jovem profissional “vestia” a camisa, fazia parte integralmente do time.

Apesar disso, seu superior nunca lhe dera um elogio, uma palavra de apoio ou motivação. Não que isso fizesse alguma diferença, seu trabalho seguia sempre com a mesma qualidade. Mas o rapaz tinha a impressão que não agradava ao superior.

Porém um dia, outra empresa, maior e com grande projeção no mercado, ofereceu ao jovem uma grande oportunidade profissional. Maior salário, mais benefícios, um cargo de maior visibilidade e principalmente um grande desafio para sua carreira.

O jovem pediu uma audiência com o superior. Sentados à mesa, o rapaz expôs o que ocorrera e disse que com dor no coração, pois tinha enorme apreço por seu trabalho, decidira aceitar. Foi muito claro sobre seus motivos, mostrou sua tristeza (genuína) em deixar um emprego pelo qual tinha imenso apreço, e recusou qualquer oferta para ficar onde estava. Não estava ali para negociar, a decisão estava tomada.

O superior, como sempre naqueles anos, não fez nenhum elogio, não aproveitou a oportunidade para adulá-lo, nada. Resignou-se com o pedido e deu a conversa como encerrada. Parecia incomodado, mas nada disse.

O jovem profissional saiu dali um pouco triste. Depois de tanto tempo juntos, aquela seria a oportunidade perfeita para que o chefe mostrasse por ele algum apreço. Mas não houve a manifestação. O jovem profissional pensou que talvez estivesse deixando para trás uma porta fechada. Que possivelmente nunca mais voltaria ali, o que lhe causava certa decepção.

Em sua última semana no emprego, ao chegar ao escritório depois do almoço, encontrou o presidente da empresa no corredor, que veio cumprimentá-lo.

- Fiquei sabendo que você vai nos deixar? A proposta foi irrecusável? – perguntou o executivo sorrindo.
- Sim – respondeu o jovem, um pouco sem jeito – Não pude dizer não.
- É eu imagino. Seu chefe me contou tudo.

O rapaz surpreendeu-se. Imaginou que o chefe não dera muita atenção ao fato.

- Ele contou para o senhor? – Perguntou.
- Sim – respondeu o presidente. E acrescentou rindo: Coitado, está desesperado. Também pudera, ele me disse que perdeu seu melhor funcionário!

Naquele dia o jovem profissional entendeu o que era deixar as portas abertas.

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Ao pedir demissão de uma empresa, é importante se fazer a seguinte pergunta:

- Se eu precisasse no futuro, teria coragem de pedir emprego aqui novamente?

Uma das expressões mais comuns quando um funcionário pede desligamento da empresa é “deixar as portas abertas”. Mas qual o significado da expressão? A melhor coisa ao se deixar as portas abertas é a certeza de poder voltar a encontrar as pessoas, de se ter deixado para trás amigos, colegas e principalmente oportunidades. Não raro uma pessoa precisa voltar a sua antiga empresa, nem sempre uma “aventura” no mundo lá fora rende bons frutos. Mas também existem os casos em que as pessoas são chamadas de volta por sua competência e bons “antecedentes”.

Tenho lido frequentemente em artigos sobre RH e comportamento no trabalho, que existem formas de desligamento da empresa nas quais é possível deixar uma boa impressão, a saber:

a)      Seja claro e transparente ao informar o motivo do desligamento. É importante que a empresa saiba que sua saída se deve a uma nova (e boa) oferta, ou que você não está satisfeito com sua carreira ou chances dentro da companhia. Desta forma, além da honestidade, você dá oportunidade para que a empresa possa se aprimorar, oferecendo melhores salários, melhores planos de carreira ou até um ambiente de trabalho mais saudável.
b)      Não minta. Se você não puder contar para onde está indo, diga que informará no momento oportuno, mas não conte uma mentira. Isso será para sempre lembrado.
c)       Só peça demissão se tiver certeza de que vai mesmo sair. Fazer leilão é muito feio. Se você recebeu uma oferta melhor, mas tem certeza de que quer se desligar, informe ao seu superior sobre a oferta (não precisa entrar em detalhes) e pergunte se a empresa pode cobrir. É muito mais honesto.
d)      Despeça-se dos colegas e equipes de forma coerente. Longos e-mails de despedida, dizendo que perdoa aquele dia que o seu amigo roubou seu iogurte da geladeira não são profissionais. Nem expor a todos seus sentimentos (bons ou ruins) sobre a companhia. Guarde isso para uma conversa reservada, ou para você mesmo. E manere no Happy Hour de despedida.
e)      Cumpra seus compromissos até o final, deixe tudo organizado para seu sucessor, arrume a bagunça e não deixe nenhum rastro de problemas para quem for ficar em seu lugar. Isso deixa uma péssima impressão.

Essas atitudes são importantes e fundamentais para deixar uma boa impressão na saída. Porém, entendo que o momento desligamento é só a ponta do iceberg. Não adianta agir da forma acima, se você não alimentou credibilidade durante seu período na companhia. As portas estarão sempre abertas para aquele profissional que apresenta uma boa conduta sempre:

a)      Seja claro e transparente o TEMPO TODO! O seu superior vai saber quando você estiver enrolando e quando estiver sendo direto. Por isso, não deixe pontas soltas e arestas mal aparadas.
b)      A relação com os colegas, subordinados, pares e superiores é mais do que importante. Você não precisa ser amigo íntimo, confidente, padrinho do filho ou de casamento de ninguém. Nem sequer gostar de todo mundo. Mas as relações interpessoais precisam ser cordiais e principalmente não ultrapassar a barreira do respeito, mesmo que nos momentos de maior estresse entre as partes. Não esqueça os clichês: “o mundo gira depressa” e “hoje você está aí e eu aqui, mas amanhã podemos estar invertidos”...
c)       Ética, moral e honestidade são valores intrínsecos. Cultive-os.
d)      Quais são os valores e cultura da sua empresa? Você os conhece? Acredita neles? Se não, procure outro emprego. Não adianta trabalhar em um lugar em que você não se encaixa. Mas se estiver trabalhando na companhia, seja aderente aos valores e cultura. Defenda-os em seu dia-a-dia. Você sempre será lembrado como aquele que “vestia a camisa”, para não sairmos dos clichês.

Também não podemos deixar de lado o momento após a saída. É comum uma pessoa pedir demissão para trabalhar para um cliente da antiga empresa, trabalhar em um concorrente maior e mais poderoso, ou mesmo ocupar um cargo similar ou até superior ao seu último chefe.

Isso não é vantagem. Nenhuma. O seu crescimento profissional não tem nada a ver com seu emprego anterior, ou com possíveis mágoas que possam ter restado deste. Portanto:

a)      Ao encontrar-se com antigos colegas ou chefes em eventos ou em trabalhos conjuntos, trate-os com o mesmo respeito e consideração que tinha quando trabalhavam juntos.
b)      Numa possível contratação de sua antiga empresa pela nova, mostre neutralidade, e se possível distancie-se do processo. A mesma ética que você mostrava na outra empresa deve acompanhá-lo no novo emprego.
c)       Caso tenha de atender um antigo desafeto da outra empresa em sua nova posição, jamais se aproveite disso. Trate-o também com respeito. Isso fará com que sua reputação seja sempre a melhor.

Acreditem, já passei por diversas dessas situações. Atualmente ocupo um cargo em uma empresa da qual me desliguei em 2006, e retornei em 2013. E nesse intervalo de sete anos, fui cliente dessa empresa em duas ocasiões. No dia em que retornei, entrei de cabeça erguida, encontrando velhos conhecidos, como se tivesse voltado de longas férias. As portas estavam completamente abertas.


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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Montar sua própria equipe ou receber uma pronta? O que é mais fácil para um líder?

Um dos principais desafios para um líder é construir sua equipe. Muitas vezes temos a oportunidade de partir do zero, selecionar os profissionais, definir os recursos e alocá-los onde acharmos melhor.
Em outros casos a oportunidade é a de assumir uma equipe já formada.  Profissionais que já vem atuando naquelas funções há algum tempo, que conhecem a rotina e os processos.

Qual a melhor situação?

A primeira vista, montar uma equipe do zero parece perfeito. É como receber uma tela em branco, pincéis e tintas e criar o seu quadro, com a sua linguagem dentro da sua arte. Mas isso tem seus prós e contras, como tudo no mundo corporativo. Senão, vejamos:

1. Escolha dos profissionais: 
      Se você tem carta branca para trazer quem quiser, definir os cargos, funções e escopos, é ótimo. Mas nem sempre isso é uma realidade, e mesmo tendo a possibilidade de montar um time do zero, seus recursos não serão ilimitados nem perfeitos. As empresas costumam oferecer uma gama de profissionais já contratados para que o líder posse escolher, mas parta do princípio que se existem outros líderes e outras equipes similares, os profissionais disponíveis não serão necessariamente os melhores. Esses, alguém já selecionou.
Trazer profissionais de fora também não é simples. Normalmente os recursos externos são liberados quando não há profissionais já contratados habilitados à aquela função, ou quando o líder coloca como condição para que o time trabalhe de forma mais eficiente. Mas em geral a liberação para recursos externos é comedida e traz consigo muito mais cobrança.

2. Definição do escopo: 
      A montagem de um time do zero estará provavelmente atrelada a uma demanda da companhia.  E isso dará certa liberdade ao líder de definir como o trabalho será feito. Certo? Não necessariamente. Muitas vezes a empresa demanda o resultado e não interfere na forma como é feito. Mas existe a possibilidade de que o board da empresa queira interferir na forma como o líder trabalhará sua equipe, e isso pode ser um empecilho, ou até mesmo frustrante. O segredo está em equilibrar o que se planejou com o que a empresa tem planejado. Há espaço para todos, não é?

3.  Resultados: 
      Ah, a cobrança... É importante se ter em mente que a cobrança é diretamente proporcional ao nível de investimento que a empresa fez no time. Se o líder teve carta branca, teve recursos tecnológicos e humanos, inclusive externos, à disposição, se conseguiu impor seu ritmo de trabalho e seu escopo para o time, é óbvio que a companhia exigirá um resultado maior. O paralelo com o futebol é inevitável: o técnico que entra, pede reforços, traz sua equipe técnica e muda a maneira de jogar, será naturalmente mais cobrado pela torcida, pela diretoria e pelos jogadores. Isso é um fato.

E aquele líder que herda um time já pronto? O profissional é contratado, promovido ou assume a equipe de outro líder. A equipe já vem pronta, não pode ser mudada, já conhece o escopo e já tem seus “sub-líderes” definidos.  Parece não ser muito fácil, não é? E não é mesmo. Herdar uma equipe requer um tremendo jogo de cintura...

1. Os profissionais: 
Num primeiro momento, a equipe é quem domina. São eles que conhecem o trabalho, a rotina, os processos. Mesmo que seja a pior equipe da empresa, e que o líder esteja ali para concertar as coisas, no primeiro momento o time domina. E aí temos duas situações distintas:

a)      O líder veio de fora: complicado. O reconhecimento da liderança pelo time vai ser, num primeiro momento, por imposição. Os profissionais tendem a testar a liderança e os conhecimentos do novo líder. Alguns vão se mostrar reativos, outros vão tentar criar proximidade. Mas em geral ninguém aceita um líder “externo” de cara, sem questionar. Principalmente quando havia outro postulante ao cargo dentro da própria equipe, ou já antigo na companhia.
b)      O líder veio da própria equipe: mais complicado ainda. Quando a equipe já segue naturalmente um líder dentro do time, e espera que essa liderança seja apenas oficializada, sem problemas. Mas, na grande maioria dos casos, um membro do time promovido a chefe deixa de ser amigo dos colegas no momento seguinte. Existem profissionais com o mesmo nível hierárquico que vão sentir-se preteridos. Existem profissionais que preferiam que outra pessoa fosse promovida. E existem colegas que vão continuar achando que a antiga amizade com o novo líder será eterna, e que por isso tem “privilégios” diferentes dos colegas.

      2. Definição do escopo:
      Fácil. A equipe já sabe bem o que fazer. Teoricamente, não se precisa ensinar nada a ninguém.  Se o novo líder veio de fora, é mais provável  que ele é quem tenha que aprender alguma coisa com o time. Mas isso é bom, aproxima o líder da equipe, e se este mostrar humildade em reconhecer que não sabe algo, o deixa mais próximo dos colegas.
Em alguns casos o novo líder assumiu a função para concertar as coisas. Nesse caso, o relacionamento com o time pode se tornar mais difícil. Mas existem duas formas de lidar com isso: a autoritária e a democrática.
Autoritariamente, o novo líder pode simplesmente impor seu ritmo e suas ideias, sem questionar a equipe, sem ouvir opiniões.
Democraticamente, o novo líder pode realizar reuniões, conversas, workshops, o que desejar, ouvir a opinião do time de forma participativa, e de forma gradual vender suas ideias ao time.
Não há a forma correta. Isso depende de cada líder e da forma como ele quer lidar com o grupo.

3. Resultados: 
O líder que herda uma equipe será cobrado da mesma forma que o líder que cria o time. Mas quando um líder assume a função apenas porque a mesma ficou vaga, a equipe trabalha bem, apresenta resultados e segue em linha com a companhia, a cobrança será naturalmente menor do que no caso do líder que assume um grupo caótico. Como quando o técnico assume o time na liderança do campeonato. Se não cair, está ótimo. O importante é que um bom líder jamais joga na equipe a responsabilidade pelo que não está dando certo. Mesmo que uma ou outra engrenagem dentro da equipe não esteja “lubrificada”, cabe a esse líder fazer com que tudo funcione como um relógio.

Olhando sob essa ótica, talvez não exista uma regra. Cada líder tem a sua preferência. Particularmente, já estive nas duas situações e tive sucessos e dificuldades nas duas. Até porque esses três fatores não são os únicos que definem o sucesso de um desafio profissional de liderança.

Ao assumir um grupo, seja partindo do zero, seja herdando, as qualidade da liderança serão postas em xeque. Um bom líder precisa conseguir se aproximar do time, mostrar confiança e se mostrar confiável. E acima de tudo, mostrar à equipe que não é ele que vai barrar o crescimento de cada um. Escrevi aqui outro dia sobre Líderes Servidores, e são esses os que conseguem fazer com que suas equipes se desenvolvam. Porque será assim que ele também se desenvolverá.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

O ensino superior no Brasil e a imaturidade profissional.

Aos 12 anos de idade, tive uma professora de Educação Artística que nos ensinou perspectiva. Isométricas, um ponto de fuga, dois pontos de fuga... Uma das coisas mais comuns de se desenhar em perspectivas são edificações. Prédios, casas, ambientes internos e externos. E com isso, aos 12 anos, tomei gosto pelo desenho arquitetônico e arquitetura.

Considero-me um felizardo. Porque aos 12 anos, descobri com facilidade o que gostava de fazer. E isso me trouxe uma visão clara do que gostaria para meu futuro. Investi nessa decisão, e nunca tive dúvidas do que queria "ser quando crescesse". Mas isso não é comum, é uma situação mais rara do que parece.

Convivi durante o ensino médio e superior com colegas que não possuíam essa visão. Alguns de meus amigos sabiam, como eu, que desejavam ser médicos, engenheiros, advogados. Mas uma boa parte tinha dúvidas complicadas, como por exemplo: estudar Psicologia por gosto, ou Administração porque o pai tinha uma empresa?

O ensino superior no Brasil é cruel com o profissional. Um jovem de 17 ou 18 anos, tem condições de escolher seu futuro de forma definitiva? Aos 17 anos temos condições de saber o que é atender um paciente, o que é projetar um edifício ou processar uma grande empresa? E ainda pior: existem ações e tarefas por trás das profissões, que são inerentes ao trabalho, mas que não tem sequer relação com a formação do profissional. E foi assim que me vi, recém formado em Arquitetura e Urbanismo, tendo que entender como funciona a emissão de uma nota fiscal, e quais os tributos que nela estão embutidos. Confesso que não aprendi isso na faculdade, imagino que deva ser ensinado nos cursos de Economia, Contabilidade, Administração e correlatos. Mas garanto que é um assunto importantíssimo no dia-a-dia de qualquer profissional.

Somos desde cedo orientados a decidir nossa futura carreira. No final do ensino médio somos direcionados ao vestibular onde apenas uma opção é aceita. Não estou considerando aqui as especialidades dentro de uma determinada área, como por exemplo, engenharia civil, elétrica ou mecânica. Mas sim a decisão que um jovem de 17 anos precisa tomar entre ser engenheiro, médico ou músico. Além disso, a pressão continua após a escolha, para que se conclua o que se começou. 

Nem sempre é encarado com naturalidade o jovem decidir mudar de rumo na carreira, trocar de curso, trancar a matrícula. Se a decisão for por uma carreira diferente, então, o cenário é pior. Que mal  há de fato em um estudante de direito decidir largar tudo e cursar odontologia? Se isso for a centelha que incendeia uma carreira feliz e bem sucedida?

Defendo que isso mude. Defendo que o modelo educacional brasileiro dê tempo e espaço ao futuro 
profissional, para que saiba o que deseja de fato. É muito mais interessante que um jovem de 17 anos tenha um ou dois anos para aprender, conhecer as profissões, entender o mercado de trabalho. Aliás, penso que às vezes é mais importante entender o mercado de trabalho do que a profissão em si.

Quem sabe um modelo educacional que permita que o ensino superior seja igual nos primeiros dois anos para todas as carreiras, para que após isso o universitário tenha condições de decidir? Um biênio onde se aprenda, além das matérias técnicas, um mínimo sobre questões importantes como matemática financeira básica, oratória, gestão empresarial? Não é mais salutar soltar o recém formado no mercado um pouco mais tarde, mas mais amadurecido, do que inundar o mesmo de profissionais mal preparados técnica e psicologicamente por que não tiveram sequer tempo de escolher corretamente uma carreira? Fica a proposta para nossos educadores.

Eficiência, eficácia e melancias

Em uma grande companhia, um funcionário antigo abordou o gerente e foi direto ao assunto:

- Trabalho há doze anos nesta empresa. Todos aqui me conhecem, procuro ser um funcionário exemplar, atingir minhas metas e cumprir minhas obrigações. Nunca me atrasei pela manhã, nunca estiquei meu horário de almoço e nunca deixo para o dia seguinte o que posso terminar no mesmo dia.

- De fato – respondeu o gerente – Temos alta estima por você.

- Por isso, vim conversar sobre a vaga de coordenador que estava disponível e será ocupada por outra pessoa.

- Realmente – respondeu o gerente – é verdade.

- Achei que minhas qualidades fossem importantes, afora os anos dedicados a esta empresa! Meu colega só está aqui há dois anos e foi preferido? Estou muito decepcionado.
O gerente ficou pensativo. Em seguida respondeu:

- Você tem razão. No entanto, enquanto reflito sobre isso, gostaria de pedir-lhe um favor. Foi solicitado pela diretoria que sejam servidas melancias hoje após o almoço, e eu não consegui providenciar. Você pode me ajudar?

O homem saiu e voltou poucos minutos depois.

- Nosso fornecedor não tem melancias para entregar hoje, ele disse que pedimos muito em cima da hora. O ideal seria termos um planejamento de qual tipo de fruta desejamos para que ele possa se programar.

- Ótimo. Sente-se ali naquela cadeira um minuto.

Em seguida o gerente chamou o outro funcionário ao telefone, em viva-voz, e repetiu o pedido sobre as melancias.

O rapaz retornou a ligação um tempo depois, e informou:

- Liguei para nosso fornecedor, que disse que não tinha melancias para hoje. Ele pediu desculpas, nos prometeu para amanhã sem falta. Como isso não resolveria o problema de hoje, ele nos ofereceu entregar qualquer fruta que desejarmos durante a semana, com desconto, e já deixei isso combinado. Mas sobre o almoço de hoje, consegui com outro fornecedor as melancias. Ele entregará um pouco em cima da hora, mas até quinze para o meio dia as melancias estarão aqui.

O gerente olhou para o outro funcionário, sentado na cadeira ouvindo toda a conversa. Este abaixou a cabeça, pediu licença e voltou aos seus afazeres. Não eram necessárias explicações sobre quem ocuparia a vaga.

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Na sua vida profissional, qual a melhor forma de agir? Com eficiência ou com eficácia? E qual a diferença entre elas?

Ser Eficiente é fazer certo as coisas. É ater-se ao resultado, da forma correta, padronizada. É aquele médico que receita um bom remédio que trata a sua dor de cabeça. Ou o mecânico que você chama para fazer seu carro funcionar quando este para de repente.

Ser Eficaz é fazer as coisas certas. Parece a mesma coisa, certo? Mas não é. Ser eficaz é focar na solução definitiva. É o médico que descobre por que a sua cabeça dói, e cura para que você não precise mais tomar o remédio. É o mecânico que descobre porque o seu carro parou, e o concerta para que não pare mais.

Cumprir prazos, atingir as metas, ter noção do que fazer e como deve ser feito. O funcionário eficiente pode ocupar por muito tempo uma mesma função, porque a ela se amolda, entende suas rotinas, normas e necessidades. Um funcionário eficiente é dedicado, carrega consigo a cultura da empresa, suas missões e valores. Um funcionário eficiente busca realizar as atividades com o máximo de resultados, mas utilizando um mínimo de recursos. Se preocupa em otimizar os processos e as ferramentas, custos e prazos. Seu conhecimento operacional é tão grande e afiado, que não raro propõe soluções que não são claras para os níveis administrativos da empresa. E faz de tudo para que os momentos de crise não aconteçam. Para que as coisas não saiam do eixo.

Mas as coisas saem do eixo às vezes. Crises acontecem, problemas surgem. Nessa hora, ser eficaz é agir na urgência, ter uma visão bastante ampla dos processos e saber que é importante às vezes “sair da caixinha”, pensar diferente, fugir dos padrões. Ser eficaz também é carregar consigo a cultura da empresa, mas sabendo quando uma nova solução ou ação pode e deve ser proposta para que novos resultados sejam atingidos.

Agir de forma eficiente é perfeito para funções operacionais. Para tarefas que exigem disciplina, conhecimento específico e modelos pré-estabelecidos.

Atuar de forma eficaz, no entanto é fundamental para a gestão. É importante ser ágil em raciocínio, bom em negociação, e determinado em atingir o resultado necessário. Aliás, é ótimo inclusive para se compreender as necessidades da empresa, ainda que estas não estejam claras e bem definidas.

Um bom gerente é aquele que sabe as qualidades de sua equipe. Sabe verificar quem é mais eficiente, quem é mais eficaz, quem é equilibrado. E saber obviamente o que é mais importante para cada função a ser ocupada.

Mas essa é uma incumbência apenas do gerente? Não cabe também ao funcionário entender o que sua liderança espera dele? Que tipo de atitude adotar a cada situação enfrentada? O seu desenvolvimento profissional depende desse discernimento. Conheci durante minha vida, profissionais que transitavam entre eficiência e eficácia com a maior facilidade. Apresentavam características mistas, e por isso foram excelentes funcionários. Mas a tendência de uma pessoa que apresenta bons níveis de eficácia é atingir uma carreira ascendente, mesmo que se adeque a funções operacionais também.

Uma capacidade fundamental para um funcionário é entender o que sua empresa precisa, ou o que sua função exige.

Muitas vezes por questões culturais, financeiras, pelo ramo de atuação ou qualquer outro motivo, uma empresa depende de um exército de pessoas eficientes, regradas, comprometidas. Uma ou outra ação eficaz completa o quadro, mas não há amplo espaço para esse tipo de gestão.

Em outros casos, a companhia segue a linha criativa ou trabalha com frequente gestão de crises e riscos, e para isso nada melhor do que pessoas criativas, capazes de improvisar, e que saibam pensar fora do convencional.


Dessa forma, é possível que você esteja trabalhando no lugar errado, da forma errada, ou com expectativas erradas sobre sua carreira. Pense nisso ao avaliar seu rumo profissional. Se encaixar à necessidade do momento pode ser uma boa demonstração da sua eficiência. Ou eficácia.

terça-feira, 5 de abril de 2016

6 dicas para aproveitar bem um feedback

Receber um feedback é uma arte. Nem sempre o que escutamos nos agrada ou parece ter alguma utilidade. Mesmo porque, muitas vezes o feedback é um pretexto para que o outro diga o que pensa sem causar o constrangimento de uma crítica. E muitas vezes o feedback vem entremeados de elogios com o propósito de disfarçar a real intenção da conversa.

O objetivo de um feedback, seja ele positivo ou negativo, é informar a reação causada por uma característica da pessoa. Os feedbacks variam entre quem os apresenta: o que é uma vantagem para um, pode ser uma desvantagem para outro. Já passei por isso em mais de uma ocasião, recebendo um feedback positivo e um negativo pela mesma razão. Por isso, receber o feedback deve ser encarado como um momento especial, onde se pode tirar muito proveito.

1 - Escute o que o outro tem a dizer
Escute. Ouça. Você tem dois ouvidos e uma só boca, justamente para que ouça mais e fale menos. Retrucar ao que está sendo dito é uma reação normal, nossa tendência natural é nos defender, mas escute até o fim. Por vezes uma colocação aparentemente negativa apenas precede uma positiva. Além disso, podemos tirar muito proveito de algo ruim que nos está sendo dito, inclusive entendendo que é mesmo alguma coisa que pode e deve ser mudada em nossas atitudes.

2 - Não leve para o lado pessoal
Feedbacks não devem ser pessoais. É óbvio que isso é uma via de duas mãos, se o seu interlocutor tiver a intenção de levar para o pessoal, fica difícil não se sentir ofendido. Mas se a intenção for realmente a de agregar algum valor à sua atitude, não entenda como uma agressão ou um ataque. Acredite que o que você escutou, por mais doloroso que seja, pode lhe trazer enormes vantagens da próxima vez que passar pela situação ali exposta.

3 - Filtre
Todas as pessoas conhecem, ou deveriam conhecer, a si mesmas. Se alguém chama você para um feedback, dificilmente vai lhe contar alguma coisa sobre você que você já não saiba. Pode ser uma enorme surpresa saber que essa ou aquela característica sua incomoda ou agrada a alguém, mas a característica em si está lá, sempre esteve. Por isso, filtre o que ouvir, meça se aquilo também o incomoda ou agrada e a intensidade da questão, e caso não entenda como um grande problema, siga em frente. Não estou incentivando ninguém a ignorar um feedback, mas se entender que não é relevante, não se preocupe. Você não é obrigado a aceitar tudo.

4 - Analise bem o retorno
Isso está diretamente amarrado com a dica número 3. Para que possa filtrar, você precisa necessariamente analisar. Mas se receber um feedback relevante para você, analise sempre com a maior frieza que puder. Ouça, reflita sobre o que foi dito, e se possível, tente lembrar de quando agiu daquela forma e como você encarou naquele momento. Se possível, peça ao interlocutor que dê exemplos reais do que está dizendo, para que você possa situar a informação no seu dia-a-dia, e perceber o impacto que pode causar em seu trabalho.

5 - Discorde, se quiser, mas tenha argumentos
Quando for responder ao feedback, tenha argumentos para mostrar porque não concorda. Seja claro e objetivo, para que não pareça uma simples irritação de alguém que não sabe ouvir uma crítica. Lembra da dica número 2? Então, responder ou retrucar um feedback envolve ter segurança para não mostrar fragilidade. Além disso, discordar com segurança e de forma bem embasada possivelmente vai fazer com que seu interlocutor também reflita e talvez mude de ideia. Mas se não tiver argumentos, não retruque. Você vai parecer uma criança contrariada.

6 - Agradeça, sempre
Um feedback sincero é um presente. E ao receber um presente você agradece. Mas agradeça de coração. Veja sempre o lado positivo de receber um feedback. Não sinta-se agradecido apenas pelas coisas boas que ouvir, mas pelas ruins também. Entenda que muitas vezes é difícil também para o interlocutor dizer aquilo que pensa, acha ou sente. Dar um feedback é quase tão difícil quando receber, e é importante que seu interlocutor saiba o que significa para você. Isso mantém o canal aberto, para que além de ouvir, você possa um dia também devolver a sua opinião.

Mantenha-se sempre aberto à comunicação. Você pode aprender muito sobre você mesmo, se estiver disposto a ouvir o que os outros tem a dizer.

O Chefe e o Líder - Conceitos de Líder Servidor

Sentados à mesa, durante o almoço, dois executivos conversavam sobre suas equipes.

O primeiro reclamava muito. As pessoas nunca traziam a ele as soluções, apenas os problemas. Seus funcionários mais antigos mostravam-se a cada dia mais desanimados, desfocados de suas tarefas, descumpridores de prazos. E nos últimos tempos começavam a mostrarem-se preguiçosos, o procurando com questões simples e de fácil solução.

- Veja você – disse ao amigo – na semana passada um gerente com mais de 15 anos de experiência procurou-me para dizer que não conseguira convencer um dos diretores da empresa a aprovar uma alteração no projeto.
- E o que você fez? – Perguntou-lhe o outro.
- Óbvio: depois de repreendê-lo, mandei que ele montasse um relatório mais bem elaborado, reapresentasse o projeto e caso não obtivesse sucesso, que trouxesse a recusa por escrito, para que eu pudesse apresentar ao Board da empresa. Essa é a função dele, não a minha. Eu quero mesmo é tirar a responsabilidade das minhas costas.

O amigo ficou calado pensando. Sentiu-se tentado a dizer que em sua equipe as coisas não eram assim. Seus funcionários vinham apresentando desempenhos crescentes, no último mês havia conseguido promover dois de seus melhores coordenadores a cargos de gerência, apesar da crise. Sua equipe discutia com ele os problemas, em geral trazendo mais de uma opção de solução. Claro que dentro do time haviam os mais bem preparados e os menos capacitados, mas sua função era detectar os desvios e corrigi-los, para que houvesse homogeneidade no grupo e na qualidade do trabalho.

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Trabalhei durante 4 anos em uma grande multinacional americana, ocupando um cargo de Gerente Sênior. Éramos submetidos a um plano de treinamentos elaborados para que os cargos gerenciais tivessem condições de disseminar a cultura da empresa entre suas equipes. E também para que aprendêssemos ou aprimorássemos a capacidade de liderar.

Liderar. Não apenas chefiar uma equipe, mas sim liderar. Nesses treinamentos, tive contato pela primeira vez com um conceito que não conhecia, chamado “Líder Servidor”. Para mim foi algo novo, uma vez que sempre acreditei que se deve liderar pelo exemplo. Tenho ex-superiores aos quais eu seguiria até embaixo d’água, mas nunca havia me perguntado o porquê de admirá-los tanto. Sempre acreditei que foram bons exemplos e por isso criei essa admiração.

Mas não é apenas isso. Claro que um bom exemplo é importante. Porém o líder servidor é mais, é aquela pessoa que você procura quando precisa de apoio e orientação. É aquele líder que se coloca no seu lugar quando você está num beco sem saída. Que pensa com a sua cabeça, sente com o seu coração, mas não deixa que você aja apenas com a sua emoção. E principalmente, que luta suas batalhas ao seu lado. Que acompanha você, ainda que apenas como ouvinte a uma reunião importante, ou que abre caminho a uma instância superior, intercedendo a seu favor, mas não fazendo o seu trabalho. Incentiva, valoriza seu trabalho, suas ideias e seus projetos. E quando não enxergam qualidade no seu trabalho ou em alguma proposta, tem a decência de dizer de forma franca, educada e humilde.

Aliás, humildade é uma característica importantíssima em um líder. O “líder” arrogante não lidera, não agrega a equipe e não consegue com que suas ideias e conceitos sejam absorvidos de forma natural. É fácil fazer com que sua equipe realize tudo o que você propôs. Afinal você é o chefe, não é? Mas como fazê-los acreditarem no que está sendo pedido ou proposto, ainda que aos olhos do time possa parecer um grande absurdo? Com humildade, com respeito, com acessibilidade. Um verdadeiro líder deixa sempre suas portas abertas para que possa ser procurado quando necessário for.

Outra coisa importante que aprendi em meus treinamentos, é que um bom líder não se preocupa em ser substituído. Na verdade, o primeiro passo para que se possa crescer dentro de uma corporação é deixar preparado o seu potencial sucessor. Já presenciei casos de pessoas que não foram promovidas porque realizavam um excelente trabalho, e a companhia entendia que eram “insubstituíveis”. Liderar também é deixar que as pessoas subordinadas cresçam e se desenvolvam, criem asas e possam voar sozinhas. Um bom líder não prejudica o desenvolvimento de um funcionário, porque não tem a vaidade de ser o único. O líder servidor não tem medo da concorrência dentro de sua equipe.

Muitas empresas e corporações ainda não estão preparadas para esse tipo de conduta. Certa vez, em uma entrevista, expus esse conceito ao entrevistador, que me perguntou se eu não estaria sendo paternalista, ou delegando pouco, uma vez que ele entendeu que quando a equipe não dava conta de uma tarefa eu, como líder servidor, deveria realiza-la. Não, por favor, não é nada disso! Um líder de verdade não deve se comportar de forma a não permitir que a equipe realize suas funções. Mas ele deve dar suporte para que se tornem mais fáceis e superem os obstáculos com mais agilidade.

Para quem se interessar, uma boa leitura sobre esse assunto é “Como Se Tornar um Líder Servidor - Os Princípios de Liderança de o Monge e o Executivo” de James C. Hunter. O autor de O Monge e o Executivo mostra como entender o conceito do líder que serve a sua equipe, e com isso consegue liderar.
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Sobre os dois amigos que conversavam no início desse artigo: terminaram de almoçar, se despediram e voltaram a seus afazeres e suas equipes.
O primeiro voltou a chefiar seus funcionários, cada vez mais desanimados e desfocados, que só lhe traziam problemas.

O segundo voltou a liderar sua equipe campeã. Como deve ser...

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